16.11.10

 

Abre lentamente os olhos. Há demasiada luz.

- Onde estou? – Pensou; - Morri? – Suspirou.

- Olá, como se sente? – Pergunta calmamente a enfermeira.

- Não morri? – Responde.

- Não, não morreu, mas quase. – Retalia a enfermeira.

Ana sente vontade de vomitar, começa a ficar agitada e sente cólera a invadi-la. Quer gritar, mas nem o grito de raiva consegue expulsar. O ar falta. Os enfermeiros acodem.

 

Trimmmm…

- Ah, estou? – Atende uma voz estremunhada.

- Boa noite. Estou a falar com a senhora Patrícia? – Pergunta uma voz estranha.

- Sim, é ela. Quem deseja saber? – Pergunta.

- Senhora Patrícia, ligamos do hospital. A sua filha Ana está cá internada. Pedimos que venha o mais rapidamente possível.

Num salto senta-se na cama.

- O quê? A minha filha?! Que aconteceu? – Pergunta com o coração sobressaltado.

- A sua filha está estável, mas pedimos que compareça por favor.

A meio da noite duas personagens lançam-se numa corrida louca para o hospital. Não há vermelhos que os impeçam. Os corações batem demasiado rápido para abrandarem num semáforo.

 

- A minha filha está aqui internada. Quero vê-la. – Atira Patrícia.

- Nome? – Remata alguém com impaciência.

- Ana – desespera a mãe.

- Aguarde um momento, por favor.

- Aguardar?! O que se passa com a nossa filha? - Pergunta um olhar assustado.

- Um médico já os vem atender.

Os olhos extravasam lágrimas. Patrícia sente-se ansiosa, angustiada, nervosa. A sua filha, a sua única filha.

- São os pais da Ana? – Pergunta o médico.

- Sim. Responde o pai, com a mãe nos braços.

- A vossa filha está agora estável.

- O que aconteceu, doutor? – Pergunta a mãe.

- A sua filha tentou suicidar-se com comprimidos.

- O quê?! Sui…suicidar-se? A Ana?! Não é possível – diz o pai

- A minha Ana? Porque faria uma coisa dessas? – Continua, aterrado.

Patrícia não reage. O seu mundo desaba. Há um grito que se espalha e a quebra por dentro.

- Como foi capaz? – Diz por fim.

Há confusão, alheamento e uma súbita mágoa naquelas duas personagens.

 

Ana, já não tem lágrimas. Continua desolada pela sua sobrevivência.

A raiva persegue-a.

- Quero morrer!!! Porque não me deixaram morrer?! – Grita angustiada.

- Os seus pais estão aqui Ana. Para a ver – diz a enfermeira.

Ana pára. O seu corpo gela. Os seus pais, aqueles que lhe deram vida estavam ali. E ela só queria morrer. O coração está em espera. Não bate. Sofre e tem medo. Medo do confronto com os seus progenitores. Ela não queria fazê-los sofrer. Só queria partir. De vez.

- Ana, como pudeste? – Pensou a mãe enquanto a olhava nos olhos.

- Filha – diz em vez.

Ana desata a chorar. Esconde os olhos, como quem esconde a culpa.

O pai abraça a filha e promete estar sempre lá, dizendo que ela não está sozinha. Ana sente ainda mais culpa.

A mãe fixa a filha. Sente culpa também. E raiva. Como pôde aquilo acontecer.

- Filha, que fizemos nós? Onde falhamos? – Pergunta desesperada a mãe.

- Patrícia, agora não. – Responde o pai.

- Vai tudo correr bem, filha. – O pai abraça de novo a filha. - Vamos conseguir ultrapassar isto.

O quarto permanece cheio de dor, culpa, remorsos, tristeza, vergonha, medo, raiva. Todos estão partidos à sua maneira. No meio de tanta dor, permanece no entanto o amor. Está ali, mesmo que nem todos o consigam olhar nos olhos.

 

Cecília Pinto

 

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22.10.10

 

 

As histórias têm, normalmente, uma lição a tirar, sejam elas de que cor forem. Parece que são mais relevantes as que contam os azares da vida, os desencontros, as coincidências, os absurdos e até os amores. Quanto mais intensas melhor, mais tiramos para nós. Mais lições. Porque essas histórias é que são boas, aquelas que mexem connosco. É que assim dá para viver aquilo tudo, dá para sentir.

Aquilo. Aquilo que escondemos durante o dia, aquilo que disfarçamos, a fazer de conta que não nos interessa, que não nos incomoda porque somos seres racionais, seres equilibrados. Porque somos adultos e maturos.

 

Quantas vezes ao dia? Que alguém conte por favor!! Quantas?

Tantas vezes ao dia, tantas e tantas vezes que já nem damos conta o que é que sentimos. Só para nos voltarmos a lembrar no conforto do lar, no quentinho debaixo da mantinha, em que meia dúzia de lágrimas mal escorridas nos fazem chorar por causa de uma história. Até parece que já estou melhor, que aliviou. Esta história era das boas!

Já lá vão os tempos dos melodramas em que tudo nos comovia. Não havia paciência, lágrimas por tudo e por nada. Olha se agora toda a gente perdia a cabeça? Que horror!

Perdia a cabeça e dizia o que lhe vai na alma, o que lhe vai no coração, o que lhe arrepia a espinha, o que lhe dá nojo, o que lhe mete asco, o que lhe vira as tripas, o que lhe desalenta.

 

Pára lá com essa história que já chega!! Estamos a falar de coisas sérias! Há coisas com que não se brinca! Não se brinca, pronto! Não se brinca com os sentimentos das pessoas, com os desejos, com os sonhos, com as inseguranças, que horror!

Que horror? Que horror ou que dor? Que dor de já não conseguir sentir na pele aquilo que os olhos vêm. Com a pureza e a inocência dos olhos de criança em que tudo magoa como facas espetadas na barriga, nas costas, no coração, em que durante dias a dor é a vergonhosa companheira, em que as brincadeiras servem para preparar o disfarce de amanhã, depois de amanhã, daqui a 20 anos.

Eu estava a fazer de conta... Eu nem gosto de ti. Achas? Claro que não, não me dizes nada. Nem me custa, não me custa nada, que a vida é muito mais que isso. Já alguém disse, hoje em dia já não se morre de amor.

 

Carla Silva

 

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19.10.10

 

Bom dia amor! – disse ele enquanto abria os olhos para mais um dia, esboçando um sorriso largo enquanto com uma mão desligava o despertador. Boooom dia anjoooo – recebeu em resposta arrastada juntamente com um sorriso tímido de quem tem um acordar sonolento. Por entre as frinchas da veneziana a luz que rompia a penumbra do quarto era forte o suficiente para vislumbrar o verde dos olhos dela. Meu Deus! – exclamou ele para si enquanto se perdia naquele infinito de tranquilidade. Aqueles olhos sempre o afectaram desde que a conheceu, mas somente se apercebeu da sua profundidade num dia de verão em que por entre avanços tímidos a encarou sem reservas. Só aí conseguiu distinguir aqueles pormenores que os tornam únicos, pontos castanhos entre a imensidão verde – pequenas luas estrategicamente colocadas numa galáxia que fala sem falar.

 

Voltou a si no momento em que percebeu o toque de lábios quentes nos seus. Uma sensação de familiaridade preencheu o seu peito enquanto aspirava aquele ar carregado do cheiro dela e mesclado com o seu. Assinatura inconfundível dos corpos que há umas horas se confundiam em apertos e gemidos, celebrando o amor que os une. Um arrepio lembrou partes de si que estavam acordadas, enquanto imagens fugidias recordavam em que posições haviam celebrado, sendo automaticamente catalogadas para referência futura, evitando perguntas arriscadas como “foi bom amor?”.

 

Puseste mais 10 minutos? – pergunta atirada todas as manhãs por aquele que não controla o tempo e que por isso tem receio que o mesmo se esgote. Claro que sim meu anjo – resposta dada todas as manhãs, atirada por aquele que controla o tempo e que tem pena que nada possa fazer para que o mesmo não se esgote. Com um braço ela é gentilmente convidada a virar-se e num bailado sincronizado e ensaiado diariamente é abraçada sem pudor. Uma mão na mama direita e outra na barriguinha. Gesto de segurança que a reenvia para a meninez, ao mesmo tempo que a longa e penosa agenda daquele dia se esfuma qual passe de mágica. “Amo-te meu amor” é sussurrado numa cadência doce…

 

Rui Duarte

 

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15.10.10

 

Quantas vezes dei por mim a pensar, como é possível. Será que ela tem alguma coisa em especial? Mas ela é tão pequenina, tão pequenina, tão frágil.

É possível, ela tem um jeito próprio de quem é mãe, não interessa se é primeira vez se é segunda. É certo que ela tem um dom. O dom do amor. Não tem explicação. Não tem origem. Não é algo que se vai buscar a um qualquer lado… Se calhar tem explicação, se calhar tem origem e se calhar vem de algum lado; mas o que é que isso interessa? O Amor é o mais importante. Agora que penso um pouco mais, interessa, se calhar, reter que para amar basta concerteza ter sido amado(a), ter sido feliz. Mas a questão é de onde vem esse amor. O amor vem do amor, o amor vem de mais amor, o amor multiplica e soma mais amor, o amor é algo que não sei bem, sabe-se mas ao mesmo tempo…

 

É o amor que nos conforta, nos segura, nos trata, nos cura, nos quer, nos faz sentir bem quando estamos mal, é o amor que nos faz sentir vivos. É o amor.

Quando nos ralha, quando nos portamos mal. É o amor que nos faz andar para a frente, ou para trás quando é caso disso.

O amor pode ser belo… É belo. O amor deve ser belo. O amor deveria ser belo…

Quando sentimos aquele aperto no coração, aquele palpitar mais intenso, aquela dorzinha de barriga, como se de um nó se tratasse. O amor resolve…

Mas quando tudo parece não ter solução, quando tudo parece perdido, quando a solução não está à vista, quando não há solução, então aí, então aí chamamos de mansinho e muito baixinho – mãe … mãe – e tudo parece agora diferente, mais fácil, mais leve, mais alcançável, mais verdadeiro, mais tudo. E esse tudo que é quase tudo, é o amor de mãe.

 

Coisas a fazer:

Acrescentar uma errata ao dicionário: onde se lê mãe deve-se ler Amor e onde se lê Amor deve ser lido Mãe.

 

Obrigado mãe. Obrigado pela transferência desse teu AMOR infinito.

 

Diogo Ricou

 

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12.10.10

 

Amor. Flama? Dor? Prazer? Ansiedade? Felicidade? Talvez seja o mais complicado dos sentimentos e o mais simples, provavelmente.

Histórias de amor há muitas, com tantas maneiras de ser amor.

 

Há a história da mãe que olhou o filho e desde ali houve amor. O pai que sem a mãe ficou e passou a ser ambos, carregando a dor do amor perdido, mas reforçando o amor pelos pequenos presentes que ela lhe deixou, os filhos.

Há a mulher que foi mãe sem dar à luz, que enfrentou o desconhecido e tomou como seu o legado de um outro alguém, honrando-o com todo o amor dentro de si.

Há a avó que é força, é cuidadora, é família, acreditou num amor, mas esse amor transformou-se num castigo, numa pena pesada. Embora fustigada, permitiu-se amar os demais e aguentar o falso amor da sua vida, com a força que só uma pessoa cheia de amor consegue. Há o amor que às vezes se transforma em ódio. Mas, há também o amor que é eterno. Que nasce de uma brincadeira num castelo, de tempos mais austeros, que só de olhar era um bate-bate coração. Esse amor que luta contra barreiras, nas épocas em que pormenores de hoje, eram verdadeiras barreiras. E desse olhar constrói-se toda uma vida que não se finda até com a morte. É um amor bonito, esse. Com todas as suas desventuras, sim, mas com toda a eternidade que uma história de encantar nos faz sonhar. E viveram felizes para sempre. Apenas não o foi, porque a vida em si, não é eterna. Mas, definitivamente ali ainda há amor.

E depois, há sempre o amor que surge à primeira vista, ou aquele que surge de uma amizade, que se esbarra num sentimento inesperado. Há também situações inesperadas, que destroçam um amor, sobretudo a crença no amor. E por vezes, esse é o fim, até um outro amor. Outras, é uma provação de amor. E, por vezes, há o perdão, que é outra forma de amar. E desse perdão, não vêm rosas. Por vezes, vêm sacrifícios, confrontações, e também renascimentos. E com eles, um novo modo de estar no amor. Difícil? Sim. Vale a pena? Também.

 

Quem disse que o amor era fácil, cor-de-rosa, alegre e feliz todos os dias? Talvez um apaixonado. Mas, amor não é só paixão. Amor é uma jornada. As histórias de amor fazem-se também de outras que vamos conhecendo. Estas são as que eu conheci.

 

Cecília Pinto

 

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8.10.10

 


Perdi muitos anos a tentar perceber o que é o amor... No seio familiar, aprendi que embora o amor possa ser fonte de momentos muito agradáveis, também é caracterizado por obrigação, agressão, instabilidade e insegurança. Ao contrário de muitas pessoas, não tive a sorte de nascer num lar saudável, rico em nutrientes emocionais. Embora existisse amor na minha vida, as pessoas que por mim nutriam esse sentimento raramente mo demonstravam, no entanto, eram rápidas a declarar a sua opinião crítica, quando o que estava em causa eram os meus erros.


Percebi cedo que o amor podia causar muita dor e que, por mais que me esforçasse, não iria conseguir controlar a dor que me era infligida por aqueles que deveriam nutrir amor por mim. O amor dos outros era, para mim, independente do que eu fazia ou do que eu dizia, pelo que representava, em conjunto com a dor, um grande sentimento de impotência.


Não satisfeita com os ensinamentos familiares e na tentativa de perceber o que é afinal o amor, essa entidade de que tanto falam as pessoas, comecei a prestar mais atenção a outras fontes de informação. Observei as histórias de amor com príncipes encantados, os filmes românticos na televisão, as músicas românticas na rádio. E olhei à minha volta para as pessoas, as organizações familiares, as relações de verdadeira amizade, os hábitos e os vícios dos outros.


 


Do conjunto das situações observadas, aprendi que o amor pode assumir uma multiplicidade de facetas: pode ser delicioso ou desagradável, pode ser controlador ou liberal, pode ser injusto ou compreensivo, pode ser prisão ou liberdade. E aprendi que o amor é como uma flor: pode ser regado, crescer e florescer, ou não ser regado, secar e morrer. Compreendi também que, em conjunto, é possível trabalhar o amor com vista ao seu pleno desenvolvimento e ao pleno desenvolvimentos das pessoas envolvidas. E percebi que o amor é um pouco como a história da galinha e do ovo: para amarmos, precisamos de sentir o amor dos outros e, para recebermos o amor dos outros temos que os nutrir e acariciar, ou seja, demonstrar o amor que sentirmos. Estamos perante um processo bidireccional que, com a quantidade necessária de dedicação, compreensão e esforço, com aprendizagem mútua e contínua, pode prosperar, tornar-nos mais fortes, mais inteligentes e mais sadios.


 


Ana Gomes


 

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5.10.10

 


- Hoje sonhei que estava no Céu… - disse ele - …e senti bem-estar… senti paz…- continuou - Se o Céu for assim já não tenho medo de morrer!


- E vai ser assim… não vai? Vamos estar em paz… – disse ela.


- Sabe… hoje a minha Mulher faz anos…


 


Conheci o Sr. Armando e a esposa em meados de Junho. Ele tinha 44 anos, ela perto dos 50, estavam juntos há 10, ambos no segundo casamento. Ele tinha um cancro em estado avançado e encontrava-se em fase terminal. (- Foram 5 anos de luta! Sabemos que o fim está próximo…) Após o diagnóstico ela deixou de trabalhar para o acompanhar, para poder estar sempre por perto. (- Ele é o mais importante… quero estar sempre ao lado dele, quero fazer o que estiver ao meu alcance para que ele esteja bem… esteja feliz… até ao fim.)


Tinham tudo preparado. A pedido dele, ela comprou um pedaço de terreno no cemitério da aldeia, escolheu a lápide que ele mais gostava, arranjou o fato que ele vestiu no casamento e que ele gostava de poder usar no dia do funeral. Conseguiu também proporcionar o reencontro com o filho, com quem ele já não falava há alguns anos.


Quando o Sr. Armando foi internado, já mais debilitado, a sua preocupação era o aniversário da esposa (- Sei que é o último… gostávamos de poder passá-lo juntos…). Nesse dia o Sr. Armando acordou bem disposto, disse que se sentia muito melhor, o seu olhar estava atento e tinha um brilho especial. Quando a esposa chegou conversaram, riram, brincaram, choraram, beijaram-se… Ele ofereceu-lhe a prenda que religiosamente guardava na gaveta da mesinha de cabeceira.


Ainda nessa noite o Sr. Armando faleceu… em paz.


 


Este relato é baseado em factos reais, na história de um dos doentes que tive o PRIVILÉGIO de conhecer. Foram feitas algumas adaptações e o nome da personagem é fictício; todos os diálogos são reais.


 


Joana Gonçalves


 

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1.10.10

 


Era o fim de mais um Verão escaldante mas ainda sentia os quarenta e dois graus de há três semanas, a pele suada e a sensação de tontura e de desmaio. Ainda sentia o cheiro das flores. Gostava de ver as hortênsias azuis espalhadas tropegamente pelos carreiros estreitos que acediam ao campo de milho. Todos os dias, no final da tarde, aquele banco de madeira velha, colocado estrategicamente em frente à casa pouco frequentada e que nos oferecia uma vista assombrosa, sustentava os nossos corpos já cansados do dia e dos anos. Estávamos agora, sentados, diante de uma imensidão dourada e avermelhada pelo crepúsculo de mais um fim de tarde.


As pessoas ficam mais bonitas no Verão, dizem. Nós preferimos observar a natureza, a erva que amarelece e seca, as cerejas vermelhas que amadurecem com o calor e largam o cheiro adocicado e morremos pelo suculento damasco dourado e pelos figos, pingo de mel, retirados da figueira encostada à casa, mais velha do que nós.


 


Já vivemos muito, já sentimos muito. Muita felicidade! O nascer do primeiro filho, em casa, nesta casa, Carlos Alberto. Muita tristeza e revolta! A morte! Quando faltava uma semana para fazer um mês tivera um ataque. O médico dissera que se não repetisse tudo estaria bem. Receitara uma injecção. Lembro-me que era já noite, umas oito horas talvez, e, com o menino nos braços, depois de caminhar apressadamente três quilómetros até à farmácia da Vila, foi possível comprar a que seria a abençoada dita injecção. O farmacêutico prepara-a. O menino morre-me nos braços. Num sábado fazíamos o baptismo, no sábado seguinte, a completar um mês, o funeral do bebé. O choro durou para sempre, a dor ficou compartimentada algures…


Alegrias? Também! O nascimento do José e dos que se seguiram… O nascimento do primeiro neto e dos outros…


Já nos conhecemos bem, quase muito bem. Falamos pouco, quase nada. Um gesto, um olhar, é quanto basta para mostrar desaprovação ou desagrado, contentamento ou consentimento… E o olhar diz imenso, diz tudo, é transparente.


Gostamos de passar assim os dias, juntos, a olhar a linha do horizonte, a olhar o nada, as nuvens brancas, imaculadas com as mais variadas formas. A trocarmos memórias de tempos que já lá vão e conversas sobre os vizinhos e conhecidos. As rugas são marcadas, o corpo curvado, as pernas já não nos levam onde queremos, as dores são companheiras fiéis, às vezes mais fortes outras vezes menos.


 


No Outono, dizem, o crescimento das plantas torna-se mais lento, as árvores e arbustos deixam cair as folhas. Mas, contrariando a imagem das folhas secas e amarelas espalhadas pelo chão, muitas flores aparecem e florescem com as mais variadas cores e presenteiam o céu azul celestial. Nós estamos nesta época do ano, com os nevoeiros matutinos e com o sol que aparece e aquece, cada vez com menos frequência e por períodos cada vez mais pequenos, mas aconchegantes e reconfortantes.


Estamos os dois sentados, num fim de tarde qualquer a sossegarmos, num olhar, em infinitos momentos de reencontros. Um segundo é muito, é nada, é perfeito!


 


Ana T


 

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28.9.10

 


- Mãe, conta-me outra vez a tua história e do pai.


E eu contei, pela enésima vez, como eu e o teu pai nos conhecemos. Falei-te da magia que ambos sentimos quando os nossos olhares se cruzaram. Das juras de amor eterno, do casamento, da felicidade que nos invadiu por acreditarmos ser almas gémeas. Contei-te o quanto te desejamos, todos os planos que fizemos contigo e a tremenda alegria que sentimos quando te apertamos nos braços pela primeira vez. Mudaste as nossas vidas para sempre.


Durante os nove anos seguintes vivemos em estado de graça. É incrível o quão apaixonados nos sentimos, todos os dias mais um bocadinho, por um filho! Disse-te que te amava assim, com um amor que foi crescendo dia após dia, até já não caber dentro de mim.


 


Desta vez, já não contei a história até ao fim. Tu, já não a ouvias. Senti a tua mão soltar-se da minha devagarinho e os traços do teu rosto suavizarem-se, como se tivesses adormecido. Respiraste pela última vez. Eu também.


Não sei durante quanto tempo chorei depois da tua morte. Toda a gente pensou que chorava apenas por te perder de uma forma tão vil mas, na verdade, também chorava pela culpa que me atormentava. Senti-me aliviada quando partiste. Já não suportava ver-te sofrer, dia após dia, durante tanto tempo. Não suportava os teus gritos de dor quando já nada te aliviava. Consegues perdoar-me, filho? Eu ainda não me perdoei a mim própria…


Não compreendo muitos dos meus sentimentos, apenas descodifico o amor que sinto por ti…Passaram-se três anos, dizem. Não sei… O meu tempo parou quando partiste e ainda não acordei desta letargia que se abateu sobre mim.


Hoje estou aqui, ao pé da tua campa. O teu pai fez questão de a escolher; foi a última coisa que fez antes de partir. Estive muito tempo sem cá vir mas hoje saí de casa. Vim ver-te. Vim contar-te de novo a nossa história. Sei o quanto gostas de a ouvir. Dizias que os meninos deviam ser todos especiais e nascerem de histórias preciosas, como a tua. Tinhas razão, filho…


 


O teu pai já cá não está para a contar comigo. Não suportou a tua ausência e perdeu-se nele próprio, tal como eu. No entanto, descubro hoje que há amores que resistem à ferocidade do tempo e às intempéries da alma, e que se prolongam para lá da vida.


Já não te posso abraçar, nem ouvir a tua voz, mas continuas a viver dentro de mim. Aí, nunca morrerás, nunca sofrerás. Serei sempre a tua mãe, serás sempre o meu querido filho.


Sempre. Para sempre.


 


Alexandra Vaz


 

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24.9.10

 


Foi há muitos anos mas parece que foi ontem!


Era ainda criança e, naquele tempo, não abundavam as oportunidades de conhecer pessoas da minha idade, para além do círculo familiar. Mas, num domingo de Setembro fui a uma festa da aldeia, a convite da minha prima. Nesse dia, na casa grande cheia de gente adulta e alguns da nossa idade, apareceu um rapaz, primo da minha prima. Logo chamou a minha atenção. Primeiro, por ser desconhecido, depois pelo seu ar intelectual e simultaneamente cativante. Não era exuberante nos traços físicos mas exalava um charme que não passava despercebido. Não tardou a sermos apresentados: Este é o meu primo; esta é a minha prima.


Foi um dia inesquecível. O almoço, a tarde na romaria, a procissão vista da varanda. Privei com um rapaz culto, educado, atencioso e, direi até, um pouco maroto. Findo o dia da festa, despedimo-nos com um beijo. Na face, como apenas era permitido na época. Este beijo durou anos na minha lembrança! Tantas vezes o senti!


 


A vida levou-nos para caminhos e vidas distantes. Desencontramo-nos.


Anos e anos passaram. Raras vezes ia tendo notícias dele, pela minha prima. Foi sempre o melhor aluno, estudou medicina, foi assistente da Faculdade, transformou-se num notável cirurgião, casou, teve filhos. Eu também. Estudei, casei, criei e geri uma empresa, tive uma filha, uma neta, fiquei viúva, viajei, fui feliz.


Muito tempo foi passando, menos contacto com a minha prima, escassas notícias daquele rapaz que se fez homem e que nunca saiu do meu pensamento.


 


50 Anos depois …


Num almoço com vários amigos, fora do país, quando me preparava para sair, um senhor que conversava com uma das amigas próximas, perguntou-me: Não nos conhecemos? Lembras-te de mim? Ao ouvir estas palavras e a forma como foram ditas, respondi: És tu? Ele disse: Sou. Não quis acreditar! O homem por quem estive apaixonada durante tantos anos, estava ali, tinha partilhado o almoço com ele. Não resisti ao impulso e disse-o. O meu primeiro amor! Apagou-se tudo à minha volta, nem reparei que estava rodeada de tantas pessoas! Caí em mim quando vi o ar de constrangido dele.


Não poderia permitir que este encontro ficasse por um só dia, como o primeiro. Trocámos contactos para não mais nos perdermos.


Desde então encontramo-nos regularmente para conversar, recordar o que eu sonhei com ele. Sempre que há disponibilidade de ambos, lá vamos almoçar. Sinto que a intensidade não é recíproca, mas que importa isso? Quando há amor, nunca acaba. Por isso o amor que senti há 50 anos atrás ainda existe. Vivemos de palavras, de emoções, de desejo.


 


Cumpriu-se o ditado: “Não há amor como o primeiro”. Houve amores maiores, melhores, os apaixonadamente vividos, os dificilmente conquistados, mas nenhum deles superou o primeiro.


 


Ana Santos


 

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21.9.10

 


O nosso amor já dura há mais de cinco anos.


Estávamos de férias, em mais uma lua-de-mel, desta vez em Singapura. Tinha acabado de nascer o dia, desci do quarto para tomar o pequeno-almoço e, faz parte da minha rotina matinal, passar os olhos pelo jornal. Fiquei intrigada, quando vi um anúncio que dizia: “Quer adoptar um bebé? Ligue e entregamos na hora.”. Achei que poderia ser brincadeira, parecia que de uma mercadoria se tratava. Era mesmo o que eu queria. Um bebé com entrega na hora e ainda por cima poder dar a uma criança melhores condições sociais, económicas e afectivas do que as que teria se ficasse no seu meio natural de vida.


Falei com Dany, o meu marido, que me alertou para a possível falta de legalidade daquele anúncio e que me acompanhou até à embaixada de Portugal. Foi-nos informado que era legal e que é um processo rápido, pagando o montante que é solicitado, assinando um contrato, a criança é entregue no acto. Decidi de imediato ligar para a agência que faz os contactos com o orfanato e só perguntaram qual a profissão do meu marido. De imediato disseram: “Temos o vosso bebé, podem vir levantá-lo.”.


Já estava tudo preparado. Depois do pagamento, a menina estava à nossa espera - tinha três dias de vida e acabado de chegar da maternidade. Pelo que soubemos, a mãe é prostituta e não reúne condições para abarcar com as despesas, cuidados e educação, para lhe garantir um desenvolvimento saudável. Não sabia quem era o progenitor.


 


De facto, quando a vimos com os seus três dias de vida, tão frágil, tão pequenina a necessitar tanto de nós, apaixonamo-nos de imediato por ela. Foi amor à primeira vista!!! E agora, já com quatro anos, é a luz da nossa vida. Ela sente que não é uma filha qualquer: foi querida e amada desde o primeiro momento. Ela também percebe que é uma filha diferente dos outros: não é de sangue, mas de coração.


 


Sónia Sequeira


 

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17.9.10

 


Há histórias de amor que são transversais à História, passam de país para país até à sua universalidade, ano após ano, década após década, séculos, até à sua imortalidade.


Gosto dos finais felizes. E, nos casos em que o trágico imortalizou a história, torço pela reversibilidade do final. Importar-me-ia pouco, ou quase nada, se a História não trouxesse até mim o amor de Romeu e Julieta, desde que os dois não morressem no final. Alterar o final é assassinar a imortalidade deste romance, mas que ao menos Julieta acordasse antes do seu amado tomar o veneno fatal.


E o que teríamos perdido se Pedro e Inês simplesmente tivessem casado e vivido felizes para sempre, enfrentando a contrariedade de D. Afonso IV e o despeito de D. Constança? Gosto de histórias de amor e os finais tocam-me particularmente. Conheci recentemente mais uma história de amor à qual, tivesse eu possibilidade, alteraria o final.


 


Um dos lugares mais carregados de simbologia na prisão de Kilmainham Gaol, em Dublin, é a capela. Simples, com um modesto altar colocado no lugar onde antes tinha sido uma porta, acesso a um pátio onde fuzilavam os presos cuja sentença ditava esse fim. Naquela capela realizou-se um casamento que teria apenas a duração do dia seguinte. Não sei que felicidade experimentaram, mas o anúncio da vida interrompida do noivo - decisão inalterável, só pode ter-lhes causado uma imensa dor.


Joseph Plunkett, com 25 anos, um dos líderes da resistência irlandesa, foi preso em 1916, julgado e condenado à morte. Apesar do peso desta condenação a sua namorada, Grace Gifford, quis casar antes que fosse cumprida a sentença. As autoridades deferiram o pedido e a cerimónia do casamento decorreu na singela capela da prisão Kilmainham Gaol onde Joseph Plunkett estava preso. Quando a cerimónia terminou Joseph foi novamente para a sua cela e a recém esposa, agora Grace Plunkett, foi acompanhada à saída da prisão. Aí permaneceu, enconstada ao muro, até às 4 horas da manhã, hora a que ouviu os tiros que tiraram a vida ao seu amado.


Poucos terão tido a honra de testemunhar este acto de amor, mas houve alguém que, com a sua bondade, surpreendeu a desgraçada Grace. No dia anterior à data do casamento, chorosa, foi comprar as alianças. A sua imagem de tristeza não combinava com o acto que iria realizar e suscitou a curiosidade do ourives que, depois de saber o que se passava, ofereceu-lhe as alianças mais caras que tinha na loja.


Enquanto houver alguém que nos credibilize como humanos, a vida tem valor e o nosso futuro é possível.


 


Não sei que força animou Grace para, naquela madrugada, abandonar o muro que a separava do pátio onde jazia o seu marido. Não me custa crer que, no seu entendimento, a melhor maneira de o chorar seria empreender a sua luta. Ela não voltou a casar mas voltou àquela prisão, no período da guerra civil, então como reclusa.


 


Cidália Carvalho


 

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13.8.10

 


Um grande amigo enviou para mim, recentemente, um texto de sua autoria em que explorava o facto de ele ser (nas suas próprias palavras), um idiota. Discorrendo nesse texto sobre a sua idiotia em diferentes contextos e fases da sua vida, curiosamente o autor não fez uma única referência ao amor, para não referir a paixão, pois esta é muito mais volátil. Grande falha esta, a do meu amigo que, curiosamente, é pai de vários infantes de relações diferentes. Não acho contudo que ele tenha sido um idiota, quer por ter tido expectativas de futuro em qualquer uma dessas relações, quer por ter esquecido de ligar a idiotia ao amor.


 


O facto é que a idiotia é uma filha natural do amor e da paixão como provam os inúmeros textos, músicas e filmes. É natural que assim seja. O amor (e então a paixão!) tolda o pensamento ao mais clarividente, transformando o racional em emocional, libertando-nos da realidade e prendendo-nos à realidade. Uma realidade que é real e não é. Não era realidade antes de haver amor e paixão e muito depressa se transforma na realidade que desejamos e queremos, quantas vezes fazendo ouvidos moucos a palavras sábias de quem nos quer o bem e consegue ver a idiotia da mesma.


 


Todos nós criamos expectativas das nossas relações amorosas. Uso o termo criar porque advém do nascimento e alimentação de uma ideia, um ideal. Esse ideal é o factor que vai regular a expectativa criada da relação e condicionar o seu desenvolvimento futuro. Claro que no início as expectativas são sempre as melhores, mas infelizmente também são sempre dinâmicas e o conhecimento desse facto amedronta. Ninguém ama para sofrer, mas sofre-se com o amor. Tendo todos nós consciência desse facto, vamos regulando as nossas expectativas em função do desenvolvimento da relação. Mas será que temos sempre presente uma expectativa? Será que quem tem 20, 25, 30 anos de relação ainda tem expectativas? Claro que sim. Da inicial "espero que isto funcione" até ao "espero morrer antes de ti para não sofrer com a tua falta", existe um leque incomensurável de expectativas.


 


Temos é de compreender que essas expectativas mutáveis respondem a uma realidade / realidade temporal. Têm um prazo de validade implícito que até as poderá tornar, mais cedo ou mais tarde, em idiotas e, consequentemente, transformar-nos em idiotas.


 


Rui Duarte


 

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15.9.09

 


 


E toco-te assim ao de leve

Na pele pelo sol queimada

Em contraste nos lençóis

Na tua pele minha amada

Cuido da ferida aberta

Aquela bem visível

A que sangra por dentro

Mostra-se irredutível

E por mais que faça e esforce

Por mais de mim que dê

Essa ferida que tens meu anjo

Continua aberta e sei porquê

Mas certeza tenho eu

Daquelas absolutas

Que essa ferida que te magoa

Não será das resolutas

Num dia morno de sol

Quando a dúvida se dissipar

Descobrirás tu meu amor

Que encontraste o teu lugar

E daí em diante e para sempre

Nesse local que te acolheu

De mãos dadas com a escolha

A tristeza para ti morreu

 

Rui Duarte

(Imagem: Melancholy, de Arthur Braginsky)

 
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E toco-te assim ao de leve

Na pele pelo sol queimada

Em contraste nos lençóis

Na tua pele minha amada

Cuido da ferida aberta

Aquela bem visível

A que sangra por dentro

Mostra-se irredutível

E por mais que faça e esforce

Por mais de mim que dê

Essa ferida que tens meu anjo

Continua aberta e sei porquê

Mas certeza tenho eu

Daquelas absolutas

Que essa ferida que te magoa

Não será das resolutas

Num dia morno de sol

Quando a dúvida se dissipar

Descobrirás tu meu amor

Que encontraste o teu lugar

E daí em diante e para sempre

Nesse local que te acolheu

De mãos dadas com a escolha

A tristeza para ti morreu

 

Rui Duarte

(Imagem: Melancholy, de Arthur Braginsky)

 
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31.7.09


 

Acreditemos na suposta verdade de que amor e ódio, sendo sentimentos opostos, se aproximam.

Senão vejamos:

A complexidade de ambos torna-os difíceis de entender, de definir, …

Sentem-se, tão simplesmente!

Intensos, poderosos, são capazes de enaltecer, de derrubar, de ferir, humilhar, de fazer sofrer profundamente. Atrever-me-ia mesmo a dizer que são capazes de destruir.

De forma diferente? Sim! Não! Talvez!

E permanece … a certeza?... de que são opostos, mas, muitas vezes, associados.

 

Existem sempre probabilidades de se odiar, quando se amou, sem receptividade, ou quando algo ou alguém foi oposição; amar depois de odiar? Sim! Porque, inconscientemente, esse ódio nasceu da sensação de abandono, da ânsia e da espera por um amor que tardou …

Aceito que assim seja.

 

Pode relacionar-se amor e ódio? Sim! E, mais facilmente, pode-se desassociá-los, vendo o amor como um sentimento nobre, sublime; um sentimento que enaltece, que venera; um sentimento que é luz, que “investe” na tolerância, na concessão, na justiça; um sentimento intenso, de força inabalável.

O ódio, como um sentimento perigoso, destruidor, ávido de vingança… um verdadeiro impedimento à vida feliz!

O amor desconhece a razão!

O ódio é a razão perdida!

 

Nem sempre é possível amar, reconhecendo os defeitos da pessoa amada, nem odiar, reconhecendo as qualidades da pessoa odiada!

 

Ana Santos

(Imagens: O Amor, de Kahlil Giran; O Ódio, de José Luis Fuentetaja)

 
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Acreditemos na suposta verdade de que amor e ódio, sendo sentimentos opostos, se aproximam.

Senão vejamos:

A complexidade de ambos torna-os difíceis de entender, de definir, …

Sentem-se, tão simplesmente!

Intensos, poderosos, são capazes de enaltecer, de derrubar, de ferir, humilhar, de fazer sofrer profundamente. Atrever-me-ia mesmo a dizer que são capazes de destruir.

De forma diferente? Sim! Não! Talvez!

E permanece … a certeza?... de que são opostos, mas, muitas vezes, associados.

 

Existem sempre probabilidades de se odiar, quando se amou, sem receptividade, ou quando algo ou alguém foi oposição; amar depois de odiar? Sim! Porque, inconscientemente, esse ódio nasceu da sensação de abandono, da ânsia e da espera por um amor que tardou …

Aceito que assim seja.

 

Pode relacionar-se amor e ódio? Sim! E, mais facilmente, pode-se desassociá-los, vendo o amor como um sentimento nobre, sublime; um sentimento que enaltece, que venera; um sentimento que é luz, que “investe” na tolerância, na concessão, na justiça; um sentimento intenso, de força inabalável.

O ódio, como um sentimento perigoso, destruidor, ávido de vingança… um verdadeiro impedimento à vida feliz!

O amor desconhece a razão!

O ódio é a razão perdida!

 

Nem sempre é possível amar, reconhecendo os defeitos da pessoa amada, nem odiar, reconhecendo as qualidades da pessoa odiada!

 

Ana Santos

(Imagens: O Amor, de Kahlil Giran; O Ódio, de José Luis Fuentetaja)

 
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12.7.09

Um dia o filho perguntou ao pai:


- Papá, vens comigo correr a maratona?"

O pai responde que sim e ambos correram juntos a primeira maratona.

 

Um outro dia, voltou a perguntar ao pai se queria voltar a correr a maratona com ele, ao que o pai respondeu novamente que sim.

Correram novamente os dois.

 

Certo dia, o filho perguntou ao pai:

-Papá, queres correr comigo o ironman (o ironman é mais difícil... exige nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 km)?

E o pai disse que sim.

 

Isto é tudo muito simples. Até que se vejam estas imagens...

 







 

Isabel Ferreira

 
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Um dia o filho perguntou ao pai:


- Papá, vens comigo correr a maratona?"

O pai responde que sim e ambos correram juntos a primeira maratona.

 

Um outro dia, voltou a perguntar ao pai se queria voltar a correr a maratona com ele, ao que o pai respondeu novamente que sim.

Correram novamente os dois.

 

Certo dia, o filho perguntou ao pai:

-Papá, queres correr comigo o ironman (o ironman é mais difícil... exige nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 km)?

E o pai disse que sim.

 

Isto é tudo muito simples. Até que se vejam estas imagens...

 







 

Isabel Ferreira

 
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26.6.09

 - Mãe, mãe! O que é amar?


- Amar!? Porque queres saber isso?

- Ouço em todo o lado, "amo-te, ama o próximo"; quero saber ao certo o que isso quer dizer. Dizes-me?

- Bem, essa pergunta não é fácil, mas tentarei responder. Amar, amor é o que eu sinto por ti, o que sentes por mim e pelo papá, pelos avós, pelos teus amigos, pelo cão, pelas flores, até o que sentes pelos bichinhos com que gostas de brincar... É dar e receber, é uma entrega... É sentires o teu coração totalmente preenchido. Ajudei-te?

- Hum... mais ao menos.

- Já sei! Senta aí. Vou pôr um pequenino filme, pequenino tal como tu, e esse filme vai ajudar-te a entender. Ok?

- Ok!

 








 


- Então?


- Amo-te a ti mamã, ao cão, às flores e também amo aquele menino, mamã, o que perdeu o cabelo; viste como ele sorriu quando a mana lhe deu o cabelo dela?...

- Sim meu amor, isso é amar...

 

Isabel Ferreira

 
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