23.7.10

 


Passamos a vida a planear, desde que nascemos até morrer. Planeamos, ou somos planeados, pelo menos à nascença, que a concepção do nosso futuro ser pode ser, como não ser planeada.


Planeamos, planeamos, mas raramente o resultado é como planeado. São planos para vida, planos de estudos, planos de carreiras, planos de poupança, planos de férias, planos de casamento. A vida é em si um plano. Sonhamos, enquanto planeamos, mas são sonhos objectivos. Todos os pormenores estão incluídos, todo o processo, até o resultado, é planeado. Depois descemos ao nível do real e há sempre um pormenor que faltou, um imprevisto, e a realidade é um pouco diferente do que planeamos. Mas é mesmo para isso que servem os planos, essa necessidade de dar estrutura à nossa experiência, ao nosso ser, essa sensação de controlo e segurança. De estrutura. Mas, como todas as estruturas, nada é inalterável. Porque tudo se transforma, mesmo que sem comprometer a base, mas acabam por se moldar arestas, alterando a forma, do inicial. Há sempre desvios.


A vida é um plano, mas controlar imprevistos não faz parte do plano. Eles simplesmente acontecem. E aí surge o plano B. Porque normalizar é também uma necessidade de estrutura, ou, por assim dizer, necessidade de combater a desestruturação que nos arrasta para o fundo. E como sobreviver, ou como reconstruir, quando chegamos ao zero e dali temos de partir novamente, numa constante reconstrução de nós?


 


Pois é, cresci a sentir que tudo muda, muito mais rápido do que se pensa. Desde pequena tive a sensação que o tempo passava rápido e com ele passavam todas as fases. Só me restava acompanhar o ritmo, porque o tempo não anda para trás, nem espera por nós. Ouvi, também desde sempre, que antes de mim, na geração anterior, tudo era mais duradoiro, as relações, as carreiras, havia uma pessoa para toda a vida e um emprego para toda a vida. Mas percebi logo, quando passei a entender melhor o mundo, que hoje a constância é a mudança. E daí, surge a capacidade de nos adaptarmos, constantemente. E às vezes, quando nos falta o chão, temos de ser rápidos a saltar para não cair no abismo. Este jogo de cintura, não nos torna mais descartáveis, torna-nos mais capazes de não dar o plano como garantido, persistindo no entanto a fome de um plano seguro, uma estrutura que aguente, independentemente das tempestades.


 


Hoje, não há plano B. Há plano C, D, E, F… Deixei de planear em grande porque me apercebi que há muitas variáveis no jogo que não dependem só de mim. Há acidentes, crises, doenças, como há lotarias, sorte (não na mesma proporção!), mas continua a haver a necessidade de planear, pelo menos a curto prazo. Haverá, sempre capacidade de recomeçar, pelo menos enquanto houver a visão dum plano melhor.


 


Cecília Pinto


 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 00:00  Comentar

De Anónimo a 27 de Julho de 2010 às 08:51
olá minha linda! ah tanto tempo! :) que saudades!!
Quem não tem expectativas? quem não tem sonhos? todos temos..se eles se nos afiguram na vida tal como planeamos? Talvez não...mas, talvez de forma subtil se vão concretizando em pequenos passos...o sonho é algo abrangente, um todo...se pelo menos uma parte chega até nós, mesmo que com outra cara já é um sonho realizado..tantas vezes não percebemos que pequenos pormenores na nossa vida acabam por encaixar naquilo que esperávamos .mas, ter um plano não basta, ter um sonho também não..é preciso caminhar...nós é que vamos até aos sonhos, não eles até nós!!!

Eu estou bem...às vezes zangada, outras triste e outras feliz...já mudei muitos planos, mas continuo a caminhar e isso basta-me para sorrir!

Espero que tu também estejas bem e feliz!!!

Beijinhos com saudade,
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olá minha linda! ah tanto tempo! :) que saudades!! <BR>Quem não tem expectativas? quem não tem sonhos? todos temos..se eles se nos afiguram na vida tal como planeamos? Talvez não...mas, talvez de forma subtil se vão concretizando em pequenos passos...o sonho é algo abrangente, um todo...se pelo menos uma parte chega até nós, mesmo que com outra cara já é um sonho realizado..tantas vezes não percebemos que pequenos pormenores na nossa vida acabam por encaixar naquilo que esperávamos .mas, ter um plano não basta, ter um sonho também não..é preciso caminhar...nós é que vamos até aos sonhos, não eles até nós!!! <BR><BR>Eu estou bem...às vezes zangada, outras triste e outras feliz...já mudei muitos planos, mas continuo a caminhar e isso basta-me para sorrir! <BR><BR>Espero que tu também estejas bem e feliz!!! <BR><BR>Beijinhos com saudade, <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>cecilia</A>

De Ana Lua a 23 de Julho de 2010 às 14:59
Olá Cecília!
Gostei muito do teu texto!
Realmente com o passar dos anos vamos aprendendo que tantos dos planos e sonhos que um dia fomos tendo, ficaram pelo caminho...
Por vezes a tristeza de não os conseguir concretizar é demasiadamente pesado...
Por vezes luta-se tanto para se chegar a algum lado, mas mesmo com o alcançar da meta, o tão esperado prémio e realização não conseguem superar as feridas sofridas no caminho...
Expectativas demasiado elevadas?
Seria um óptimo tema de discussão...
Bjinhos grandes!
Espero que estejas bem e feliz!

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