30.4.10

 


A Morte é o desaparecimento de uma pessoa querida, é uma separação. E de carácter irreversível; dramática e definitiva, sem a esperança de um possível regresso. Uma mudança súbita que pode pulverizar a vida de quem fica.


São muitas as pessoas que permanecem fiéis à recordação da pessoa amada, passando o resto da sua vida como que “hibernados”, porque não conseguem fazer o luto nem aceitar a perda. Isto lembra-me um filme de Hollywood, Espírito do Amor, que aponta precisamente, de modo comovente, as etapas necessárias ao desapego. Demi Moore, depois de ter perdido o namorado num desastre, põe-se em contacto com o seu fantasma através de um médium (Whopi Goldberg), e, pouco a pouco, aprende a “deixá-lo ir”, para recomeçar a viver.


 


Um luto pode, por vezes, levar a evoluções inesperadamente positivas. Foi o que aconteceu com Mary Higgins Clark, a famosa autora americana de thrillers. Viúva aos 35 anos, com cinco filhos para criar, depois do choque inicial decidiu experimentar vender algumas novelas. Para distrair-se com a disciplina da escrita, mas também para ganhar a vida. Assim nasceram os primeiros romances. Agora tem 70 anos, é milionária e já vai no terceiro casamento.


A Morte põe, por vezes, fim a um conluio, a uma cumplicidade que havia consolidado o casal, mas bloqueado as energias dos parceiros. Bloqueio esse que impede a liberdade de cada um como pessoa, a sua autonomia, por viver apenas em relação ao outro, a pensar sempre no outro, esquecendo-se de si mesmo. Não será isso um certo tipo de Morte?


 


Sónia Moura Sequeira


 

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Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 00:05  Comentar

De Cidália Carvalho a 2 de Maio de 2010 às 22:00
Ninguém,
Obrigada pelo poema.
Parabéns a todas as mães sem esquecer as que já partiram e, por serem insubstituiveis, deixaram o sentimento de solidão que o poema tão bem descreve.

De ninguém a 2 de Maio de 2010 às 09:52
...no dia da mãe...apenas este texto de
pier paolo pasolini:


É difícil dizer com palavras de filho
aquilo a que intimamente bem pouco me pareço.

És a única no mundo que sabe o que esteve sempre
no meu coração, antes de qualquer outro amor.

Por isso tenho de dizer-te o que é horrível saber:
é na tua graça que nasce a minha angústia.

És insubstituível. Por isso está condenada
à solidão a vida que me deste.

E eu não quero estar só. Tenho uma fome infinita
de amor, do amor de corpos sem alma.

Porque a alma está em ti, és tu, mas tu
és minha mãe e o teu amor é a minha servidão:

vivi a infância como escravo desse sentimento
supremo, irremediável, de um fervor imenso.

Era a única maneira de sentir a vida,
a única cor, a única forma: agora terminou.

Sobrevivemos: e é o caos
de uma vida que renasce fora da razão.

Suplico-te, ah, suplico-te: não queiras morrer.
Estou aqui, sozinho, contigo, num Abril futuro…
***

Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo.

Dili | Timor-Leste

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