24.12.18

Homeless - Brigitte Werner.jpg

Foto: Homeless - Brigitte Werner

 

Sou solidária. Todos somos! Seremos? Quero acreditar nisso, que em algum momento da vida, cada um de nós foi capaz de estender a mão ao próximo. Mas aquilo que sei é que o mais solidário é aquele que, no seu íntimo, sabe exatamente o que é necessitar de algo, mas algo vital. Seja uma refeição, um abrigo, um agasalho ou mesmo um abraço caloroso naquele momento em que nos sentimos em queda livre e com dúvidas se o paraquedas irá abrir-se.

Hoje em dia todos necessitam da solidariedade alheia. Ontem, hoje, amanhã e depois de amanhã tal como num futuro próximo, fui, sou e serei “convidada” a ser solidária. E nalgum desses momentos encontrei a causa para a qual quererei dar de mim. Mas será que se pode chamar solidariedade, nestes casos? Porque a sensação que tenho é que a maioria de nós está apenas a ceder, seja a algo chamado “pressão social” ou algo chamado “peso na consciência” porque no meio de tantas solicitações “não me vou sentir bem se não ajudar pelo menos uma”. E assim a minha missão fica cumprida. Não me parece genuíno, principalmente quando oiço no supermercado “todos os anos, nesta altura, é a mesma coisa, pedem para isto e para aquilo e pensam que podemos ajudar toda a gente!”. E aí é a pressão a falar alto. Mas provavelmente, ou muito certamente, são esses que, ao longo de todo o ano, nunca se “lembraram” de ser solidários!

 

É mais solidário aquele que, espontaneamente, despende do seu tempo para dedicar ao outro, naquele momento mais inesperado e de verdadeira necessidade. É mais solidário aquele que recebe solidariedade e sabe partilhá-la com aquele que também necessita. Comove-me sempre ver aquele sem-abrigo com o seu amigo de quatro patas, com quem partilha a sua refeição, o seu desconforto, as suas mágoas, mas principalmente o seu amor. É mais solidário aquele que dá pouco, porque é aquilo que tem, mas que dá de coração, sem se queixar ou sem necessidade de se exibir. É mais solidário aquele que se dedica a uma causa em que acredita, que a cria ou que a encontra, se identifica e se envolve de corpo e alma.

Mas ainda acredito que todos somos solidários! Todos nos comovemos verdadeiramente em algum momento da nossa vida e, espontaneamente, sem esperar retorno, damos com coração.

 

Marisa Fernandes

 

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

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