15.11.17

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Foto: Knight - FotoRC

 

Deficiência é uma palavra pesada, carregada de negativismo que a história da Humanidade foi usando e abusando da forma que lhe deu mais jeito. Não é raro ouvirmos na rua alguém chamar deficiente a outra pessoa da forma mais grotesca e gratuita, quando na verdade, a verdadeira deficiência está em quem não aceita a diferença. Eu não tenho grande conhecimento nessa matéria, o que posso referir é que acredito que as pessoas com limitações são um grande exemplo na forma como se superam a si mesmas. É o caso do meu Amigo Iluminado.

O meu Amigo Iluminado era um jovem de 17 anos, no despontar do seu florescimento para a vida, com todos os sonhos nas mãos, quando umas dores muito intensas no joelho direito o levaram na direção do IPO. Assim sem mais nem porquê, foi-lhe diagnosticado um tumor maligno. Após semanas de quimioterapia que não surtiram efeito, o meu Amigo Iluminado foi confrontado com a terrível realidade de que para viver teria de amputar a perna direita acima do joelho. Já disse que ele tinha 17 anos? Recebeu sozinho a notícia numa consulta de grupo, as lágrimas rolaram-lhe pela face durante muito tempo, mas mesmo assim, chegou à enfermaria e almoçou com as lágrimas a misturarem-se na comida. Quando chegaram os pais para a vista e teve que lhes dar a dura notícia, chorou com a Mãe e ainda a confortou o melhor que pode. Desde a cirurgia, até ao momento em que começou a usar a sua primeira prótese, passaram mais de oito meses. Nunca se queixou, nunca se deixou ir abaixo, sabia que era uma questão de escolha: viver ou morrer. O que eu acho mais espantoso para além de toda a força de vontade que sempre demonstrou durante esse processo, foi a Fé que ele sentia e ainda sente.

 

Conhecemo-nos por esses dias, há cerca de oito anos, numa altura em que as trevas ainda circundavam muito a minha vida, e com o passar dos dias fomos cimentando uma amizade e uma cumplicidade excecional. O meu Amigo Iluminado, mesmo morando numa cidade vizinha, tornou-se presença constante na minha vida e, como eu lhe chamava um verdadeiro Mosqueteiro, partilhámos alguns momentos verdadeiramente cúmplices. Foi (ainda é) de longe, um dos melhores amigos com que a vida me presenteou.

O que é que eu aprendi sobre deficiência durante estes anos com o meu Amigo Iluminado? Muito pouco. Mas sobre superação, sobre Fé, sobre acreditar, sobre seguir em frente, o meu Amigo Iluminado deu-me uma grande lição. Por esta altura, já não tem 17 anos, mas continua a ter todos os sonhos do mundo nas mãos e sabe que só depende de si próprio para que estes se realizem.

 

Ana Bessa Martins

Link deste ArtigoPor Mil Razões..., às 07:30  Comentar

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